Já reparou que quando estamos procurando vaga em um estacionamento de um shopping ou supermercado, para dar dois exemplos, e encontramos um monte delas à disposição, isso nos cria momentaneamente uma dúvida: em qual parar? Essa aqui é melhor, não, não, aquela outra. No entanto, quando existe somente uma vaga disponível, vamos diretamente a ela e está acabado. É mais ou menos o que sinto quando vou dar uma palestra ou escrever artigos sem estar previamente pautado. Dentro do que faço, existe um universo tão vasto, que nos fornece inúmeras opções de abordagem que às vezes fica difícil de escolher uma vaga para ‘’estacionar o pensamento’’. Qualidade de vida é um desses assuntos, nos abrem várias janelas, deixando-nos atordoados em fechar algumas. Deixei esta aberta para nosso artigo de hoje. Vamos começar com você prestando atenção a sua respiração. Respire profundamente, pelas narinas, expandindo o abdômen a cada inspiração e contraindo-o a cada expiração e procure perceber o amenizar das dispersões mentais, a comunhão de energia e a geração de um estado de graça biológica pela simples respiração consciente, profunda e ritmada. Nas próximas respirações, inclua prazer, o mesmo de quando você se alimenta, pois afinal, você o está fazendo também, de bio-energia. No Yôga, aprendemos que alimento não é somente o que adentra nossa boca e sim o que penetra nossas cinco portas de entrada do conhecimento; o que entra pelos ouvidos, narinas, olhos e pele também é alimento. Nunca mais me esqueci de uma entrevista que o ator Johnny Deep concedeu ao programa estadunidense Actor`s Studio. Em certa parte do show, lhe foi perguntado qual era o maior prazer que sentia na vida, e ele respondeu: respirar! Confesso que esperava qualquer outra resposta esdrúxula, mas essa, realmente me surpreendeu. Bem, voltemos as suas respirações. Nos primeiros ciclos, você amenizou a confusão mental e gerou um estado de harmonia interior, diminuindo o stress e, nos últimos, você desenvolveu o amor, no formato de satisfação e bem estar. Pois então, toda esta introdução, serviu para mostrar que em minha opinião, descansam ai, os dois principais tópicos para se obter qualidade de vida seja ela qual for: amenizacão do stress e inclusão da paixão nas atividades do cotidiano.
Bem, parece que o Yôga entrou nessa de gaiato; na verdade, nem creio que seja ele que tenha entrado, mas o colocaram nessa, pois é muito provável que lá atrás, quando Shiva o criou, não o tenha feito com o intuito de fornecer qualidade de vida às pessoas, mas como conseqüência daquilo que ele nos ensina, ele acabou ficando inevitavelmente ligado a isso. Tanto é verdade que hoje em praticamente qualquer programa de qualidade que se instale em empresas, academias, hotéis, spas, resorts etc, esta lá o Yôga. Em nossas escolas, nas representações da Uni-Yôga, perguntamos aos pretendentes a alunos, a razão de quererem praticar Yôga e suas expectativas, e uma das respostas campeãs de bilheteria é a busca pela famigerada qualidade de vida.
Antes de dar atenção ao stress e a paixão, deve-se atentar a quatro observações centrais para melhor compreensão do processo de obtenção da qualidade. A primeira delas é que estamos em uma fase global e preferencial de quantidade em detrimento a qualidade, em praticamente todas as áreas de nossas vidas. Prefere-se produzir, namorar, ler, mais do que melhor. Atualmente o que contam são os números. Obviamente que eles possuem sua importância. No entanto, hoje é mais valorizado o ’’fazer mais, em menos tempo’’, não importando os resultados qualitativos. A segunda observação: cada pessoa tem o seu próprio ideal de qualidade de vida. Se perguntarmos a cada um que ler este artigo o que ele entende pelo tema, certamente teríamos varias definições diferentes. Portanto, não há um modelo exemplar e padronizado. Terceira e talvez a mais difícil de todas: tem que querer muito. Querer o quê? Mudar. Porque mudar? Pra se obter a qualidade, fatalmente algo precisara ser modificado. Somente dizer que se deseja, é fácil, porém não desprezível, pois a pessoa de alguma forma, já se predispôs a uma tentativa. Mas o que conta mesmo é o quanto essa pessoa quer essa mudança e o quanto ela estará disposta a renunciar. E a quarta e última nos diz que após decidir que realmente se quer mudar, deve-se saber o que se quer modificar. É comum alunos me dizerem que estão insatisfeitos e querem mudar. Eu pergunto qual a razão da insatisfação e o que eles querem transmutar? Com poucas variações, a resposta é: não sei. Costumo dizer: só se modifica aquilo do que se tem ciência. Calma, não é necessário entrar em desespero, esses quatro elementos não são difíceis de serem resolvidos. O importante é saber que eles existem para sobrepujá-los. Como costumam dizer os advogados: temos que conhecer as leis para poder ‘’navegar’’ através delas. E como o Yôga nos auxiliará nesta empreitada? Através de certos conceitos metafísicos, que incluem dentre outras coisas, senso de disciplina, observação e reflexão. Bem, você já deve estar se perguntando: e a bem construída e alicerçada administração do stress e o amor presente em cada ato, sorriso e respiração.
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